Carisma

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O CARISMA DOS RELIGIOSOS VOCACIONISTAS E AS PARÓQUIAS

Para a compreensão cristã, carisma é um dom concedido por Deus a uma pessoa ou grupo, o qual deve ser traduzido em serviço ao outro, ou a uma comunidade, e sempre em vista o bem de todos, nunca em benefício próprio, como nos afirma Paulo: “Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos” (Cor 12,7).

Ao nos referirmos sobre o carisma de uma família (comunidade) religiosa, entendemos que esse dom lhe foi conferido para colocá-la ao serviço da Igreja e contribuir na sua missão santificadora. O carisma dá identidade à comunidade religiosa e justifica a necessidade da sua existência. Toda e qualquer ação dos membros de uma família religiosa, é para pôr em prática esse dom-serviço a ela confiado.

A partir dessa compreensão, a Família Vocacionista recebeu de Deus o carisma de “dirigir e conduzir os seus filhos e, através deles, todas as almas à perfeita união com as [três] Pessoas Divinas” (Const. nº 2), ou seja, trabalhar pela santificação de cada pessoa e alcançar a santificação universal, a qual nos conduz à plena comunhão com a Santíssima Trindade, fim último do carisma vocacionista. E para atingir esse fim, os irmãos vocacionistas “abraçam na Igreja, como a sua missão particular, a procura e a formação das vocações aos Ministérios Ordenados, à Vida Consagrada, especialmente entre os mais pobres” (Const. nº5). Pois o caminho vocacional nos leva à União Divina com a Santíssima Trindade.

A PARÓQUIA

Entre os campos de ação, pelos quais o Vocacionista oferece esse serviço vocacional, se encontra o trabalho nas paróquias, as quais são um espaço privilegiado para despertar, suscitar, cultivar e acompanhar as vocações. A principal motivação para os Religiosos Vocacionistas atuarem em uma paróquia é o serviço vocacional; se essa não for a motivação, “a presença de um Vocacionista numa paróquia perde totalmente o seu sentido (...). O vocacionista está na paróquia enquanto está a serviço do seu carisma e não vice-versa”[1]. Se ele se esquivar desse serviço de animador vocacional, será infiel ao carisma recebido, deixá-lo-á morrer e lastimavelmente perderá a sua identidade carismática, ou seja, não terá mais razão de existir e atuar.

A área paroquial é, sem sombras de dúvidas, espaço de santificação; é terreno fértil no qual se deve lançar a semente da vocação à fé, à santidade, à uma vocação específica (Ministro ordenado, Vida Consagrada e Cristão Leigo). Por isso, o religioso vocacionista, não deve medir os esforços para ajudar os paroquianos na descoberta, na resposta generosa e vivência alegre e fiel do chamado divino em sua vida, pois a descoberta e vivência da vocação é o caminho da santificação, que conduz à união divina com a Santíssima Trindade. Para alcançar esse objetivo, “o Vocacionista se aplica ao apostolado da santificação, dando a toda a sua ação pastoral uma dimensão vocacional” (Const. nº 85).

Na ação pastoral paroquial, em prol das vocações, o Vocacionista não deve atuar sozinho, mas é convidado a despertar e integrar toda a comunidade no urgente e importante trabalho com as vocações, fazendo da paróquia o espaço permanente do cultivo vocacional. As paróquias, de maneira especial naquelas que são assistidas pelos religiosos vocacionistas, devem possuir uma cultura vocacional bem arraigada uma vez que a comunidade paroquial é o lugar, por excelência, do anúncio vocacional. É nela — comunidade paroquial — que a semente da vocação germina, que o vocacionado escuta o chamado de Deus e que o discípulo é convidado a se integrar e servir à vinha do Senhor. Dada tamanha importância, o serviço vocacional não é uma tarefa isolada de cada cristão, pastoral ou grupo, mas é um serviço que exige a integração de todos, no qual cada um assume a sua responsabilidade e de forma contínua.      

 

[1] OLIVEIRA, José Lisboa Moreira. O servo e a serva dos santos, p. 38.

O PÁROCO

No serviço às vocações, o pároco é aquele que é chamado a assumir a dianteira. Pois como diz São Justino, “o ato de suscitar, procurar, cultivar vocações é verdadeiramente o primeiríssimo objetivo do zelo sacerdotal e a obra central para a qual deve convergir todo o sagrado ministério”[1]. Portanto, o pároco é o primeiro responsável pelo serviço de animação vocacional no território paroquial, e não lhe cabe a transferência dessa responsabilidade, nem a acusação dos outros por não o realizar. No entanto, é missão dele integrar todos os paroquianos nesse serviço “fomentando e orientando uma adequada, luminosa, e ardente mentalidade vocacionista no âmbito cristão”[2], o que hoje chamamos de cultura vocacional.

Para a realização desse serviço, o pároco é convocado a realizar uma série de ações em prol do surgimento e da santificação de todas as vocações. Entre elas podemos mencionar: a responsabilidade em dedicar uma especial atenção à santificação das famílias e o acompanhamento dos filhos que desejam consagrar a sua vida ao Senhor; trabalhar pela santificação de cada fiel — de maneira especial — pertencente a paróquia a ele confiada, mediante a conferência dos sacramentos, de maneira especial, a santa Eucaristia, que é o alimento, que contém o fermento da santificação; dedicar-se ao ministério da palavra divina, que educa para a fé e na fidelidade a Cristo; empenhar-se no apostolado catequético, o qual tem a missão de tornar o Cristo conhecido, amado, seguido e, acima de tudo, capaz de contribuir com a própria santificação; criar grupos que se dediquem à oração e ao serviço às vocações; oferecer especial atenção e acompanhamento àqueles que se encontram em fase de discernimento vocacional, entre eles os adolescentes e jovens; por fim, o pároco (vocacionista) não deve se descuidar — na paróquia — da promoção humana, através de um cuidado especial para com os pobres.

O religioso vocacionista, em sua função de pároco, é o primeiro responsável pelo apostolado da santificação de todos os fiéis; e “para trabalhar eficazmente pela santificação universal, deve conquistar ao ideal religioso, uma por uma, todas as famílias da paróquia em que mora, para que sejam verdadeiramente imagem e semelhança da Sagrada Família de Jesus, Maria e José e pequeno seminário de santos”[3].

 

CONCLUSÃO

Podemos concluir que os Religiosos Vocacionistas receberam de Deus o carisma para dedicar-se e incentivar inteiramente a santidade de cada ser humano, através de um sério serviço vocacional, capaz de ajudar cada pessoa a escutar o chamado Divino e a unir-se a Ele em uma relação pessoal e profunda de amor e intimidade.

 

[1] G. RUSSOLILLO, II Clero e le vocazioni ecclesiastiche, Série “Regnum Dei”, fascículo 1º, Pianura , 1934, 9

[2] G. RUSSOLILLO, II Clero e le vocazioni ecclesiastiche, Série “ Regnum Dei”, fascículo 1º, Pianura , 1934,7

[3] Ascensão, nº 769

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